Por que é tão difícil aceitar o quanto somos frágeis no que diz respeito à chegada do novo? O Belchior já dizia: mas é você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem. E vem mesmo! Embora, ponderando agora com um pouco mais de calma, dá para perceber que algumas coisas não mudam tanto assim. Dinheiro, por exemplo. Dinheiro é sempre bom e bem vindo.
Mas o que este desabafo tem a ver? Nada, poderia dizer. É só mais um desatino do cara que escreve. No entanto, o cara que “vos” escreve tem sido constantemente convidado a repensar o novo e a sua influência sobre determinados ambientes, principalmente no ambiente de desenvolvimento e produção.
Seria difícil enumerar quantas técnicas de programação surgiram nos últimos dez anos, quantas foram revistas, reaproveitadas, excluídas, e quantas são de fato novas, neste período. Surgiram linguagens? Sim, não sei quantas, mas surgiram algumas sim. Máquinas? Nem se fala. Eu que o diga, e ainda direi por alguns anos, admirando o iPad lá da empresa. Mas o que é aquilo…
Bom, tanta novidade, tantas modas, tanta coisa nova, mas e a maneira de como conduzimos esta novidade, isto mudou? É interessante como, por vezes, temos a tendência de compreender o novo a margem de nossa realidade. Por exemplo: o iPad não rola, não é mult sei lá o que. Isto não vinga. Ou, é muito evoluído para as pessoas usarem no cotidiano. Em fim, ou nos achamos muito bons ou muito ruins.
Claro, vou limitar este papo as tecnologias e conceitos que conheço e defendo. O que vale dizer, no entanto, é que constantemente nos vomitam buzzwords e fórmulas mágicas de sucesso, e muitas vezes entendemos isto como o novo e aceitamos de bom grado. Mas o iPad…
Bom, o caso é que o novo sempre vem. Mas nem sempre fica. Acredito e digo, com um certo pesar, que ainda levaremos alguns anos para compreendermos de fato que o valor do conhecimento não está limitado a um carimbo em uma certificação e que, por mais tecnológico que o mudo possa ser, pessoas serão sempre pessoas.
Muitas empresas, pessoas ou negócios nos convidam a inovar, mas seria possível criar coisas novas trabalhando de formas antigas? O que seria inovar? Simplificar processos, sistemas, tornar modelos legíveis a todos é um ato de inovação. Mas será que as pessoas querem isto?
Somo tão acostumados a burocracias, fluxos intermináveis e incontáveis assinaturas, estruturas complexas que por vezes cremos que o simples seja um tanto menor. Acreditar não haver mérito em um sistema com um mínimo de serviços. Isto porque queremos mais, queremos “poder”. Queremos botões brigando por espaço na tela e letras dançantes, queremos o óbvio oculto e acreditamos ficar mais inteligentes se operarmos coisas complexas.
É interessante o quanto somos capazes de crer na aquisição da experiência se sequer revemos lições aprendidas. Nestes últimos dias tenho observado a sede do novo em uma boa empresa que deseja de fato inovar. Seu primeiro passo foi a utilização de soluções web. Uma série de planilhas e sistemas desktop estão sendo convertidos para aplicações PHP e Java. Mas tem um ponto interessante: são simples espelhos de planilhas e sistemas desktop, descritos por pessoas especialistas em planilhas e sistemas desktop, que possuem caras de planilhas e sistemas desktop.
É este tipo de inovação que me recuso a compreender. Há muito mais vontade e reuniões do que simplificações produzidas. E não podemos esquecer do modus operandis que consegue ter a audácia de burocratizar algo que se tem por objetivo simplificar estados, com uma enorme criação de documentos repetitivos utilizados uma ou nenhuma vez.
Tragam inovações! Dizem. Mas mantenha minha forma de ganhar dinheiro. Agora, se dinheiro continua chegando, não mude nada. Sabe como é, em time que está ganhando…
Agora, este time está mesmo ganhando ou esta como o meu pobre Galo Mineiro?